Com a saída antecipada do governador e pesquisa mostrando disputa embolada, o cenário político do Distrito Federal para outubro nunca foi tão incerto.
Brasília virou de ponta-cabeça politicamente neste primeiro semestre de 2026, e o processo ainda está longe de qualquer acomodação. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, deixou oficialmente o cargo no dia 30 de março para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. A transmissão do governo foi realizada em cerimônia na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Com a saída, a vice-governadora Celina Leão assumiu o comando do Executivo local. TMC
O movimento era esperado há meses, mas sua concretização inaugurou uma fase nova na política brasiliense. Celina Leão não é apenas mais uma governadora interina aguardando o fim do mandato. Ela é, ao mesmo tempo, a candidata favorita ao Palácio do Buriti, a líder do grupo político que governa o DF há mais de sete anos e a principal articuladora da aliança que pretende manter o bloco no poder após outubro. Uma combinação que raramente se vê com tanta clareza no cenário político nacional.
A pergunta que move os bastidores da capital federal é simples: essa concentração de poder é suficiente para garantir a eleição, ou o campo conservador dividido vai abrir espaço para uma surpresa?
Ibaneis Sai, Celina Assume e o Grupo Tenta Manter Coesão
Ibaneis Rocha encerra um ciclo de mais de sete anos à frente do GDF. Ele assumiu o cargo em 2019 e foi reeleito em 2022. Sua gestão foi marcada por obras de infraestrutura, programas sociais e também por momentos de forte instabilidade política. Entre os episódios mais recentes, está a crise envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação que gerou questionamentos de órgãos de controle e repercussão negativa nos bastidores políticos. TMC
Com a chegada ao governo, Celina Leão tratou de deixar claro que não herdou os problemas do antecessor. Em seu discurso de posse, ela afirmou que não participou de decisões envolvendo o caso do Banco de Brasília e o Banco Master, ressaltando que as investigações devem seguir com independência. Ela também destacou que o banco é patrimônio da população do Distrito Federal e que sua gestão será pautada pela transparência e responsabilidade. TMC
Nos bastidores, a leitura é que Ibaneis planeja atuar como principal cabo eleitoral da campanha de Celina ao GDF. A estratégia é clara: manter a base unida e preservar o capital político construído ao longo dos últimos anos no DF. Além de Ibaneis, outros nomes que pretendem disputar cargos eletivos também precisaram deixar suas funções públicas dentro do prazo legal de desincompatibilização. TMC
O Que as Pesquisas Dizem Sobre o Cenário
O campo da direita, que poderia assumir o pleito com conforto dado o desempenho histórico do grupo, enfrenta divisões que preocupam os estrategistas. Pesquisa do Instituto Veritá, encomendada pelo PL, aponta um cenário embolado na disputa ao Governo do Distrito Federal a cinco meses das eleições. Quando o entrevistado é questionado espontaneamente sobre o nome de preferência para o GDF, a governadora Celina Leão aparece com 30,7%. Um número expressivo para a espontânea, mas não suficiente para garantir vitória no primeiro turno. Correio Braziliense
Na disputa pelo Senado, o cenário é mais complexo. A eleição para o Senado tem uma dinâmica diferente, já que o eleitor escolhe dois candidatos. No segundo voto, Leila Barros aparece com 26,9%, seguida de Michelle Bolsonaro, com 23,2%. O ex-governador Ibaneis Rocha registra 6,5%, enquanto José Antônio Reguffe soma 4,8%. Ibaneis começa a corrida com números modestos para o Senado, o que coloca pressão sobre sua saída antecipada do governo. Correio Braziliense
No campo da direita, Ibaneis deverá disputar votos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com a deputada federal Bia Kicis, ambas do PL. Apesar de haver expectativa de composição em torno de um único nome bolsonarista, o cenário atual aponta para divisão no campo conservador. Expressaobrasiliense
O Calendário Eleitoral Que Define o Ritmo da Cidade
O que chama atenção em Brasília neste momento é como a política penetra todos os outros debates da cidade. A greve de ônibus desta segunda-feira, os problemas de mobilidade, a agenda cultural, os investimentos em segurança pública: tudo é lido, filtrado e instrumentalizado pela lógica eleitoral que domina a capital de outubro a outubro.
Por causa das eleições de 2026, uma boa parte do primeiro escalão do governo vai se desincompatibilizar para concorrer a algum cargo público. O secretário de Obras, José Humberto Pires, é aposta para mandato de deputado federal pelo MDB. André Kubitschek assumiu uma secretaria recém-desmembrada, mas fica no governo apenas até abril, prazo de desincompatibilização para concorrer a deputado pelo PSD. Correio Braziliense
O efeito colateral desse êxodo de quadros é a renovação forçada de equipes no meio de projetos em andamento, o que cria descontinuidade administrativa em um momento em que a cidade precisaria de gestão estável. Para o cidadão comum de Brasília, a eleição já está presente no cotidiano, mesmo que outubro pareça distante.
Fontes: TMC | Correio Braziliense / CB Poder | Expressão Brasiliense
Autor: Diego Rodríguez Velázquez





